sexta-feira, 28 de abril de 2017

Sex, Lies and Videotape

SEX, LIES AND VIDEOTAPE
(Realizador: Steven Soderbergh)


Falar é a coisa mais sensual e erótica que duas pessoas podem fazer... O resto é "icing on the cake". Este filme prova isso.

Aqui, o argumento é o rei. A história deste filme gira à volta das personagens e das conversas que elas têm.

São quatro: John, advogado, casado com Ann, está a ter um caso com a irmã dela, Cynthia. Quando sabe do regresso à cidade dum velho amigo de faculdade, Graham, convida-o para ficar em sua casa enquanto este procura apartamento.

Cinco locais principais de filmagem: a casa de Ann e John, o escritório de John, o apartamento de Cynthia,o bar onde esta trabalha e o apartamento que Graham irá alugar. Nada mais é preciso para fazer um grande filme...

Ao fim de 20 minutos,  sabemos que John e Ann não têm sexo, que ele está a ser negligente no trabalho para poder encontrar-se com Cynthia e que Cynthia ressente a "boazinha" da irmã. Todas as cenas contam uma parte da história, não há nenhum frame desperdiçado.

Graham chega e vai agitar este equilíbrio tão frágil. Sabemos pouco sobre o que terá feito nos anos que esteve ausente. Mas percebemos, rapidamente, que há algo de diferente nele. Divaga sobre a vontade de ter apenas uma chave, a do carro. Mais chaves significa ter mais coisas e isso pode significar ter menos liberdade para ir embora, se quiser. John parece incomodado com o discurso.

Mais tarde, Graham e Ann almoçam juntos e começam a "flirtar" um com o outro. No fim, ela irá confessar que não gosta de sexo e ele vai responder que é impotente. Ela fica intrigada.
Ann, numa visita posterior à casa que Graham alugou, descobre umas cassetes com nomes de mulheres. Pergunta o que contêm. Ele confessa (porque não mente) serem entrevistas sobre a vida sexual dessas mulheres. Pressentimos, aqui, que esta impotência é uma escolha de vida, não uma impotência real. E que, mais cedo ou mais tarde, ela também irá concordar em ser entrevistada.

James Spader é simplesmente fabuloso. Desde o primeiro momento,  apesar das idossincrassias da personagem, é impossível não gostar de Graham. Sabemos que podemos confiar nele e que há algo no seu passado que justifica os seus actos.

Vi este filme várias vezes e nunca me canso. Adoro estas personagens e adoro acompanhar estas conversas que provam que a maior zona erógena do nosso corpo é o cérebro.

Aqui vai o trailer...


5 comentários:

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    1. Desculpa, Manel. Sem querer, dei um toque no ecrã e o comentário foi-se...
      Era assim: "já não se fazem muitos filmes assim...
      nem muitos actores como o Spader..."
      Pois não se fazem. E vê-lo a ele em alguns filmes custa porque sabemos do seu potencial. Mas há A Secretária..

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    2. pois há :) e eu gosto muito, é um ícone...

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    3. posso sempre deixar dois comentários para o caso de apagares um deles :)

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