quarta-feira, 17 de maio de 2017

Blow Up

(realização: Michelangelo Antonioni)

Ao vaguear por um parque, um fotógrafo de moda, Thomas, avista um casal. Estarão a namorar ou a discutir? Pega na sua máquina e tira várias fotografias. A câmara oscila entre o casal e o fotógrafo, manipulando a nossa própria percepção daquilo que estamos a observar.


A mulher apercebe-se que está a ser observada. Confronta-o e exige que ele lhe entregue o rolo por revelar. Ele recusa.
Ela não desiste e segue-o até ao seu estúdio. Procura seduzi-lo ou deixar-se seduzir. Eventualmente, foge com um rolo que acredita serem as suas fotos. Não é.

Ele, revela, então, as fotografias. E numa sequência que mostra várias revelações das mesmas imagens mais ou menos ampliadas e do homem que as tirou ficamos na dúvida se fomos, com ele, testemunhas de um homicídio. Ou não... O vulto pode ser um homem desmaiado, uma sombra ou qualquer outra explicação mais simples.

Filme de 1966, Thomas vive os seus dias em sessões fotográficas de modelos e aspirantes a modelos dispostas a tudo para conseguir a sua atenção. Cínico e enfadado, parece renascer quando o vemos trabalhar, ajustar e manipular as imagens que captou.

Até que tudo se desvanece - as fotos, a mulher e até ele, quando os créditos finais começam a rodar. E o que vimos ou achámos que vimos, o que estava ou achámos que estava nas fotografias (e na película do filme) permanece um mistério.

Qual é o poder da imagem? Uma imagem pode ludibriar mais porque parece oferecer uma prova irrefutável do que aconteceu. Quer seja através de fotografia ou filme, a nossa interpretação da realidade é moldada ou manipulada por aquilo que o filme retém ou sugere e por aquele que está atrás da câmara. Quer este o faça intencional ou inadvertidamente.

Bom filme!





2 comentários:

  1. O que escreves do filme dá vontade de ir a correr ve-lo, o que não acontece se virmos apenas o trailer... devias fazer trailers pah ;)

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    1. :) acho que iria gostar! Os trailers servem para vender bilhetes (e neste caso, acredita, funcionou), não para ser fiel ao espírito ou qualidade do filme. É lá vamos nós ao engano.

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