domingo, 28 de maio de 2017

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

(realizador: Michel Gondry)

Se pudéssemos apagar as memórias que nos causam sofrimento,quereríamos fazê-lo? Se aqueles que amámos fossem, agora, uma lembrança dolorosa de tudo o que correu bem até ao momento em que tudo correu mal, quereríamos esquecer tudo que foi vivido?




Joel, um homem tímido e desajeitado conhece Clementine, uma mulher destemida, por vezes imprudente, e com o cabelo pintado de azul. A atracção nasce.

Mas este não é um argumento convencional.
Percebemos que, afinal, esta não é a primeira vez que eles se conhecem. Até à pouco tempo, eles eram amantes. Só que depois do quotidiano se ter instalado, das discussões intermináveis, dos traços de personalidade e hábitos enternecedores no início e agora  irritantes, eles, simplesmente, não se suportam e separaram-se.
Pouco tempo depois, Joel, ao encontrá-la, fica desorientado, quando ela parece não o conhecer. E descobre porquê. Clementine realizou um procedimento experimental que o apagou a ele e a relação deles da memória.
Despeitado, decide fazer o mesmo.

O filme, simplificando, é contado  do fim para o princípio. Vamos acompanhando a sua história à medida que as memórias vão sendo apagadas e é, então, que o amor renasce. E com ele, a vontade de não a perder, totalmente. Se a sua história é uma sem um final feliz, pelo menos, ela continuava a existir na sua memória.

Somos aquilo que vivemos, o passado moldou e define-nos.

Clementine: This is it, Joel. It's going to be gone soon.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.

Bom filme!

 

2 comentários:

  1. Faço-me essa pergunta muitas vezes e há dias que realmente gostava de esquecer tudo, outros nem por isso, porque como dizes, o que vivemos faz-nos e molda-nos, mas há dias em que simplesmente gostávamos de voltar a ser quem éramos, sem mágoas e desilusões, antes de tudo o que queremos esquecer. Não é uma pergunta fácil de responder...

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    1. Também não sei... Sei é que perdia esta que sou hoje, para talvez repetir um caminho semelhante sem a certeza de que teria aquilo que, no passado, foi bom, luz, descoberta, enfim felicidade. São mais os dias que penso que preciso guardar o passado por ter aprendido (tarde demais), que deveria ter arriscado mais em tudo... Mesmo que depois tivesse vontade de esquecer.

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