quarta-feira, 24 de maio de 2017

"Não há pensamentos perigosos. Pensar, em si mesmo, é perigoso" Hannah Arendt



Dois filmes vistos com poucos meses de diferença, "Hannah Arendt" e "Vita Activa - The Spirit of Hannah Arendt", o primeiro um biopic, centrado no momento em que Arendt decide escrever para o "The New Yorker" um artigo sobre o julgamento de Adolf Eichmann, o segundo (que recomendo mais) um documentário que, alicerçado nos seus textos, entrevistas e correspondência dá-nos a conhecer a sua vida e obra.

Sempre me causou perplexidade compreender como foi possível manipular, minar, desconstruir uma sociedade em pouco menos de 10 anos e conseguir que ela permitisse o genocídio de 6 milhões de judeus no seu seio. Estas pessoas eram seus conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho e até amigos e foram desaparecendo pouco a pouco, disso não havia dúvida. Mesmo que fossem ignorantes do seu destino final.

Há que reconhecer que, quer o aceitemos ou não, o poder reside no grupo e quando determinadas ideias, por mais ignóbeis que sejam, se tornam dominantes, resistir, opor, levantar a voz, é um acto de coragem que poucos de nós somos capazes de ter. Aqui, ficou uma maioria, que aceitou e reproduziu, sem qualquer pensamento crítico, os slogans de um sistema que simplificou o mundo. E uma minoria que sabia que a resistência era praticamente fútil e com um preço demasiado alto.

O livro (Eichmann in Jerusalém) veio a seguir.

“Good can be radical; evil can never be radical, it can only be extreme, for it possesses neither depth nor any demonic dimension yet--and this is its horror--it can spread like a fungus over the surface of the earth and lay waste the entire world. Evil comes from a failure to think.”  
 Hannah Arendt, Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil    

Quando o genérico final tarda...

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