sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Toca do Lobo

(realizador: Catarina Mourão)

Há sentimentos e segredos que só contamos quando a amizade é tão forte que nada precisa ser ocultado. Os muros que nos guardam e protegem não são necessários e podemos e conseguimos dizer todas as palavras, contar todas as histórias que calamos a outros.

Mas há alguns de nós que conseguem pegar nessas coisas e colocar-se a nu, sem filtros ou barreiras.

Esta é a história de Tomaz de Figueiredo e da sua família, contada por uma das suas netas.
Como se de um processo de investigação se tratasse, Catarina parte à procura de descobrir quem foi o seu avô, escritor, com alguma notoriedade, nos anos 50, e agora quase esquecido. Oculta, cheia de lacunas e omissões, é também a sua história para Catarina. 

Irá descobrir que trabalhou como notário, em vários pontos do país, vivendo longe da sua mulher e filhos; que terá sofrido de depressão e foi considerado suspeito de furto. Os amigos e familiares, para o proteger da “desonra”, irão interná-lo numa clínica psiquiátrica. Sujeito a choques elétricos que lhe destroem a mente, retiram-lhe um dos seus dons mais importantes, a capacidade de escrever.
Tornar-se-á um estranho para os seus filhos, presente nas suas vidas apenas como uma memória distante e pelas pistas que deixou na sua obra e nas suas cartas.

Como cenário, temos um país cinzento, ditatorial, marcado pela presença da PIDE e pela perseguição comunista. Tal como esta família, vivendo entre sombras, sentimentos amordaçados e palavras caladas.

No fim, uma sensação de voyeurismo, que permite que nos perdoemos. Afinal esta é uma história que nos é contada na primeira pessoa. 

Bom filme!

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