quinta-feira, 15 de junho de 2017

Alice



Lisboa é uma cidade azul, nebulosa e escura, habitada por homens que percorrem as suas estradas e ruas, cumprindo as suas rotinas, em anonimato e isolamento. Os seus passos estão a ser filmados por câmaras de vigilância instaladas por Mário. 



Alice, a sua filha, desapareceu há 4 meses. Todas as pistas sobre o seu paradeiro redundaram em nada. Os seus dias, são, agora, uma repetição do dia anterior. De manhã, acorda sempre à mesma hora para refazer o dia em que a perdeu, esperando que percorrendo as mesmas ruas, realizando os mesmos percursos irá encontrá-la de novo. “As pessoas não desaparecem no ar… Mais cedo ou mais tarde, ela vai passar nas mesmas ruas e eu vou estar lá. O que queres que eu faça? Não posso, desistir, não é?” À tarde, recolhe as cassetes de vídeo, distribui folhetos, revê as filmagens. Dia após dia. A mãe, sobrevive, adormecendo o que sente através de comprimidos.

Uma perda sem um Fim, que mantém uma réstia de esperança. Que ele recusa perder.

Uma história trágica sobre o drama de perder um filho e do impacto profundo que este acontecimento tem no íntimo e no quotidiano dos pais.

Lisboa gravada como uma cidade vivida, pertença dos seus, longe do cartão postal e da imagem idealizada para uma qualquer campanha de turismo. Ainda que triste, nostálgica, claustrofóbica e anónima, nossa, vossa, verdadeira.

Nota: banda sonora de Bernardo Sasseti.

Bom filme!


2 comentários:

  1. O último do Marco é igualmente bom, mas este "Alice" é algo que guardo na colecção com reverência.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fiz várias tentativas para ver, no cinema, mas cheguei sempre atrasada para a sessão. Estou à espera que apareça para alugar. Quero ver!
      Bem-vindo, Eros

      Eliminar