terça-feira, 6 de junho de 2017

Cenas da Vida Conjugal

(realizador: Ingmar Bergman)

Johan e Marianne estão a ser entrevistados por uma jornalista sobre o seu casamento feliz de dez anos. Quando perguntados sobre as suas qualidades, Johan fala, incessantemente, sobre si e parece muito seguro, quase convencido. Ela hesita, tem dificuldade em encontrar as palavras, fala do que é para os outros: mãe, mulher, advogada. É interrompida e nunca chega a enumerar as suas qualidades.


Vivem como se não houvesse qualquer problema entre eles, dizendo que comunicam, que falam a mesma língua e por isso são felizes. Falando das coisas do dia-a-dia, do jantar em casa dos pais que não querem ir mas vão, das filhas…
Pouco tempo depois, como um estrondo, Johan anuncia que está apaixonado por outra pessoa e que vai partir para Paris, no dia seguinte, e estará ausente durante 6 meses. Pediu uma licença sem vencimento na Faculdade onde trabalha, pediu um empréstimo e vendeu o barco para poder pagar a pensão de alimentos. Finalmente, diz o que tinha reprimido sobre ela e sobre a sua vida em conjunto, durante dez anos. Não há nada a fazer ou dizer. Está decidido.

A separação e o divórcio irão acontecer. Mas a história de amor, a ligação emocional entre eles não está quebrada. E durante os dez anos seguintes testemunhamos os seus encontros sucessivos. Estão cheios de recriminações, acusações, sentimentos de traição e culpa mas também amor, carinho e atracção física. O casamento e o elo entre eles não acabou, apesar de tudo.

A maior parte do filme tem apenas dois actores à frente da câmara, que vai focando um ou outro, ou os dois, em close-ups tão próximos que parecem quase claustrofóbicos. Apenas há espaço para o rosto deles e, no entanto, é onde queremos estar para os amarmos também.
Bom filme!


 

2 comentários:

  1. Temos de ver esse, fazemos uma sessão, mas vou ficar neura, é só para avisar...

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  2. Mas porquê? Se é por algum paralelismo, não sei se existe! É mais uma reflexão sobre a dificuldade em partilhar quem somos com o outro. E uma certa ânsia em procurar outro que nos "idolatre" de novo. Em parte, é o que os separa. Claro que depois os olhos abrem e não há como desfazer o que foi feito - há remorso e vontade de manter o laço.

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