domingo, 25 de junho de 2017

A Criada

(realizador: Park Chan-wook)

Os acontecimentos na nossa vida são percepcionados por aquilo que sabemos, que vemos, que ouvimos. A nossa perceção da realidade é aquilo que conseguimos captar. É sempre uma versão, a nossa versão.


É neste jogo que se constrói este thriller, que dá uma reviravolta a cada 45 minutos. Regressamos ao início e nada foi o que pareceu à primeira vista. O que mudou? A perspectiva, o narrador. E os sentidos ficam em alerta – o que mais nos escapou, o que falta contar?

Sook-hee, o primeiro narrador, é uma carteirista que vai participar num “golpe” para deserdar uma herdeira japonesa, Hideko, que viveu uma vida isolada, sem qualquer contacto com o exterior, desde criança, na casa do seu tio. O plano é convencê-la a casar com o seu cúmplice. No entanto, Sook-hee apaixona-se pela herdeira e o esquema acaba com ela na posição de vítima e não de manipuladora. Será? Rewind – Hideko começa a contar a sua versão do que vimos.

Controlo, manipulação, desejo e traição são os elementos que definem este filme, que exala, também, erotismo em cada movimento de câmara, fotografia e som. No fim, é sobretudo a vitória de duas mulheres sobre o mundo que as tinha sufocado e controlado até então.

Melhores thrillers do que este, só os de Hitchcock.

Bom filme!

6 comentários:

  1. A filmografia do Park Chan-wook é brutal... desde a trilogia Vengeance (com um dos meus filmes "OldBoy") até ao sublime "Thirst", cujo final é de uma beleza poética arrasadora!

    Beijo em ti, Anouk :)

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    1. Também comecei com ele através do Oldboy. Com a bênção do Tarantino :)

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    1. Gostei muito, não adivinhei para onde o filme ia a seguir. E isso, acontece-me poucas vezes. :)

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    1. Sim, acho que vais gostar. Visualmente, é muito forte, há sensações e emoções das personagens transmitidas através de imagens. Isto é cinema...

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