sábado, 3 de junho de 2017

Song to Song

(realizador: Terrence Malick)


As cenas sucedem-se, corpos rodopiam sobre si mesmo, como se obedecessem a uma coreografia improvisada, amantes acariciam-se, close-ups de rostos em sofrimento e agonia, lágrimas derramadas e música em pano de fundo.

 
Um filme pode, diria antes, deve poder contar uma história ou uma ideia através justaposição de imagens, sem que seja necessário som ou palavra. E Malick tem conseguido fazê-lo. Mas não aqui.

Há um triângulo amoroso, uma mulher apaixonada por um homem e atraída por outro. Todos são músicos ou trabalham no ramo. Austin, Texas é o cenário escolhido. Todos têm relacionamentos difíceis com os seus pais. Há uma morte. Tudo isto é mostrado ou sugerido mas nada é desenvolvido o suficiente para se tornarem de ideias em emoções. As frases ditas pelas personagens em voice-over são enfadonhas e pouco inspiradas.

Temos caricaturas em vez de pessoas e clichés em vez de história. Iggy Pop e Patti Smith, graciosamente, aparecem no ecrã e queremos que aqueles momentos se prologuem porque pelo menos com eles o fio do que são foi-nos dado antes. Mas também eles e a música, omnipresente em Austin, não conseguem comunicar com as imagens. Que desperdício!

Algumas vezes, falha-se estrondosamente. Mas, mesmo assim prefiro falhanços miseráveis de mentes geniais do que filmes competentes, seguros e completamente esquecíveis.

Filme é, bom fica para outro o classificar…

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