quarta-feira, 19 de julho de 2017

Amplificação



Viver num estado de permanente ansiedade, como se os segundos estivessem a passar em câmara lenta, em que cada gesto, palavra, sentimento explode como uma Supernova. Onde está a tranquilidade, ponderação e frieza de outros tempos? 

E, ao mesmo tempo, querer ficar, assim, para sempre . O que é que há a perder? Se o choro vier, que venha!

Chorava muito em menina, por qualquer motivo, e quando me perguntavam o porquê de tanto pranto, não sabia dizer. Gostava da catarse, da convulsão que o acto provocava no corpo. Ao crescer, perdi a vontade e com ela a capacidade de chorar. Não chorava desde criança, com aquele impulso incontrolável que só pára quando o corpo fica exausto, a respiração ofegante e soluço vem. Estes tempos têm sido assim. Aceito este preço porque quero estar aberta e pronta para o sorriso que só pode vir quando se respira para viver.

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