domingo, 17 de setembro de 2017

The Lobster

(realizador: Yorgos Lanthimos)


É proibido viver sozinho. Fazer parte dum casal é a lei e quem não tenha um companheiro será abordado pela polícia e levado para um “hotel” onde terá de encontrar um parceiro ao fim de 45 dias. Se não o conseguir, será transformado num animal à sua escolha. A escolha do nosso protagonista, David, um homem desanimado e triste, é a lagosta. Vivem até aos 100 anos, são férteis a vida toda e ele gosta do mar.



No hotel, os seus hóspedes são incentivados a procurar a pessoa compatível, num ambiente artificial, de domínio das suas emoções e com um sentido de urgência que obriga a encontrar pontos em comum banais – o que coxeia procura alguém que coxeia, o que arrasta as palavras procura alguém que arrasta as palavras. Se não existir, inventa-se.
Pode-se não seguir estas regras, vivendo nos bosques, pertencendo ao grupo dos solitários, para onde David acaba por fugir. Só que em troca da liberdade, esta comunidade também tem regras e impostas de forma brutal. Não tocar, beijar ou o quer que seja.

Uma alegoria sobre as leis que governam ou que se impõem aos relacionamentos. Há verdadeiro amor ou é tudo uma construção da nossa imaginação?
Uma comédia, negra, mas com situações tão absurdas que são profundamente hilariantes.

Bom filme!


6 comentários:

  1. Pois... cada vez tendo mais a crer que amor verdadeiro é imaginação, é a construção duma ideia de amor forte e recíproco que nasce provavelmente de amores que se sonham recíprocos e invencíveis. Daí encontrarem-se apenas em formas de arte, na realidade da vida parece faltar (se exceptuarmos o amor dos pais pelos filhos, não é desse que aqui se fala)

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    1. A ti acreditarei sempre que o poderás encontrar, com um pouco de sorte. Tens dentro de ti o que é preciso ;).
      Quanto a mim, cada vez menos acredito. Uma pessoa pode mudar tudo mas não consegue fugir de si própria.

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    2. Por aquilo que entendo de amar (que pelo que percebo é nada ou a minha vida seria outra...) só os que não fogem de si mesmos o conseguem, por isso digo-te o mesmo, tens o que é preciso... sorte é que está quieto, nem uma nem outra... :P

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    3. Com esta me encurralaste :)). E só me resta dizer, boa semana, miúda. ;)

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  2. Adoro a desconstrução social dos filmes de Lanthimos, sendo que aqui adquire proporções kafkianas. Mas o meu filme preferido dele é o surreal "Dogtooth". Brilhante!

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    1. Esse ainda não vi, vou colocar ns lista. A minha mania de não violar direitos de autor tem este problema- ou os apanho na sala ou tenho que encontrar uma cópia para alugar ou comprar.
      PS: Estamos a enterrar a cabeça na areia, é?

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