domingo, 28 de janeiro de 2018

Apreensão

Quando fiz anos, a minhas primas mais novas (uma delas a minha afilhada) deram–me um daqueles pacotes adrenalina em que podemos escolher um daqueles desportos considerados radicais. A minha afilhada sabia que eu iria gostar (ela também é destas, deve ser qualquer coisa que nos corre no sangue). Estou à espera da Primavera para o fazer, indecisa entre kitesurf ou rafting.

Desafios físicos ou desportos considerados mais perigosos nunca me assustaram. Gosto da descarga da adrenalina, de testar os limites do corpo. 

O que me assusta são as pessoas. Devo confiar nela, ela gosta de mim ou quer alguma coisa, preocupa-se comigo ou apenas está a ser cordial? Irá magoar, usar ou mentir-me? Como resposta, avanço devagar, aguardando para que os actos, mais de que as palavras, comprovem as suas qualidades e defeitos. Por isso, tenho, também, uma maior desconfiança das pessoas mais extrovertidas – são mais difíceis de “ler”. Neste processo, terei, de certeza, deixado escapar muita coisa.

Exijo demasiado – exijo que confiem em mim, totalmente, antes de eu confiar neles. Com todas as relações, qualquer que seja a relação. Diminui substancialmente a susceptibilidade de ser magoada ou sofrer mas terei, com isso, perdido a possibilidade de amar alguém e de me dar completamente? 



“We rip out so much of ourselves to be cured of things faster than we should that we go bankrupt by the age of thirty and have less to offer each time we start with someone new. But to feel nothing so as not to feel anything - what a waste!”
Call me by your name, Luca Guadagnino

4 comentários:

  1. Rafting e não tenhas medo de pessoas extrovertidas, são as mais fáceis de ler ;)

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    1. :)). Não havia água no Paiva este ano, em Outubro, se não já estava feito!
      Quanto à segunda parte, és uma dessas, não é? :). Posso dizer uma coisa pela outra metade? Se uma pessoa mais reservada confiar em ti, tens um amigo para a vida! Vai buscar a pá e esconde o cadáver ;)

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  2. ...pois era essa frase :)
    E sim, podes ter perdido muita coisa, mas pensá-lo agora é talvez a maneira de abrires os olhos para que não percas nada, daqui para a frente, que te possa fazer bem. Mas, claro, sempre que nos fazem bem (sentir bem), podem-nos fazer muito mal, é um risco, como tudo é um risco - tudo o que vale a pena, tudo em que se pode realmente ganhar algo, dá também a oportunidade de nos magoarem muito... Só quem está à distância dum abraço nos pode apunhalar... se não te chegares perto não conhecerás o punhal mas perderás sempre o abraço.

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    1. Esse é o tarde off, eu sei, eu sei, miúda!
      Old habits die hard... ;)
      Diz lá outra vez que o CV é boa pessoa, diz lá :))

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