quarta-feira, 21 de março de 2018

Utopias

"A par disso, já no final dos anos sessenta, a CIA criou o programa Jazz Ambassadors, com o qual pretendia, através da música, melhorar a percepção internacional dos Estados Unidos da América, à época especialmente negativa. Em plena Guerra Fria, organizaram-se diversos concertos do outro lado da Cortina de Ferro, com vários talentos do jazz, incluindo Satchmo (Louis Armstrong), Benny Good man,  Dizzy Gillespie e Duke Ellington, entre outros (...)
Este facto parece-me uma das ideias mais fantásticas da Humanidade: pretender conquistar o mundo através da música, em vez de, por exemplo, fazer explodir Hiroxima ou invandir o Iraque. A música tem um enorme poder transformador, quase imediato. É uma das poucas artes, senão a única, capaz de nos fazer mexer o corpo, de nos pôr a dançar, de provocar a catarse ou o êxtase. E nem sequer tem de ser música de qualidade para o conseguir. Uma pintura de Van Gogh não nos põe a dançar, mas uma canção, por pior que seja, é bem capaz de o fazer. O programa americano pode ter falhado - o Muro só viria a cair muitos anos depois - mas a esperança que esteve na sua base, ainda que utópica, não deixa de ser maravilhosa: a possibilidade de uma guerra poder terminar num baile em vez da explosão de uma bomba de hidrogénio."

Afonso Cruz, Nem Todas as Baleias Voam 


6 comentários:

  1. Até estou a imaginar o Trump e Kim Jong-un a dançarem os dois ao som de "Despacito".

    Bom dia Anouk:))

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    1. Bom dia, Legionário
      Esses dois nem a música os salva :D. Ainda pisavam o pé um do outro e depois começavam aos tiros.

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  2. A música toca mais pessoas que uma bomba. Toca quase tanta gente como a que passou pelas minhas mãos. ;)

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    1. Bom dia, Patife
      Ohhh, para chegarea perto dos números que a música toca ainda precisas de laborar muito!
      Bom trabalho ;)

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